Você tem alergia ao próprio pet? Especialistas do interior de SP reforçam cuidados para aliviar sintomas

Tem alergia ao próprio pet? Especialista explica sintomas e cuidados Espirros recorrentes, vermelhidão e coceiras pelo corpo são alguns sintomas associados Ã...

Você tem alergia ao próprio pet? Especialistas do interior de SP reforçam cuidados para aliviar sintomas
Você tem alergia ao próprio pet? Especialistas do interior de SP reforçam cuidados para aliviar sintomas (Foto: Reprodução)

Tem alergia ao próprio pet? Especialista explica sintomas e cuidados Espirros recorrentes, vermelhidão e coceiras pelo corpo são alguns sintomas associados à alergia. A situação se torna ainda mais delicada quando a reação é causada pelos próprios pets, e surge o medo de ter que doar o animal de estimação para conseguir conter os sintomas. Mas você sabe o que fazer quando a alergia se manifestar? Para entender como ajudar nestes casos, o g1 conversou com dois médicos alergistas e um veterinário dermatologista que atuam em Presidente Prudente (SP). Os especialistas trouxeram dicas e curiosidades sobre o assunto. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp A bióloga Ana Paula Samogim, de 27 anos, conta que sente alergia a pets desde pequena, quando teve o primeiro contato com um gato de uma amiga, aos oito anos. “Acho que eu nunca tinha passado a mão num gato ou ficado num mesmo ambiente, e fiquei com muita alergia.” Dentre os sintomas que ela costuma sentir quando a alergia ataca, estão coceira por todo o corpo, olhos lacrimejantes e vermelhos, além de espirros. “[Na época] foi a primeira vez que realmente percebi que eu era muito alérgica.” Ana Paula Samogim e o cãozinho Cerberus, de Presidente Prudente (SP) Ana Paula Samogim/Arquivo pessoal Além dos sintomas descritos por Ana Paula, em outras pessoas podem ocorrer manifestações na pele, como urticária após o contato, e, nos pacientes asmáticos, a exposição pode desencadear tosse, chiado, falta de ar e aperto no peito, segundo Pedro Meireles, médico especialista em Alergia e Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP). “É importante esclarecer que, na maioria das vezes, a alergia não é propriamente ao pelo do animal. O que provoca a reação são proteínas produzidas pelo animal, presentes principalmente na saliva, nas descamações da pele e também na urina. Essas proteínas podem aderir aos pelos e se espalhar pelo ambiente. Por isso, inclusive, um animal com pouco pelo ou sem pelo ainda pode provocar alergia”, reforça o médico. Cães e gatos são os animais domésticos mais relacionados a esse tipo de alergia, até pela frequência com que as pessoas convivem com eles, conforme Meireles. No entanto, também pode ocorrer alergia a cavalos, coelhos, hamsters, porquinhos-da-índia e outros mamíferos. Pedro Meireles também é professor de Medicina na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) de Presidente Prudente e reforça que aves também podem provocar doenças relacionadas à exposição, embora os mecanismos nem sempre sejam os mesmos da alergia IgE-mediada clássica observada com cães e gatos. “Outro ponto interessante é que esses alérgenos são muito pequenos e facilmente transportados. Eles ficam em sofás, tapetes, roupas e outros tecidos e podem ser encontrados até em locais onde não há animais, como escolas, transportes públicos e casas de pessoas que não possuem pets”, continua. Cerberus chegou na família Samogim em 2015 Ana Paula Samogim/Arquivo pessoal Métodos alternativos As crises alérgicas de Ana Paula atacam com mais frequência em ambientes fechados frequentados por pets, sejam cachorros ou gatos. Para lidar com essas situações, a moradora de Presidente Prudente utiliza algumas alternativas. “Se eu for visitar alguém, eu sempre tento evitar ficar muito perto do pet, apesar de ser muito difícil, porque, né, pets são maravilhosos.” “Eu sempre levo antialérgico para todos os lugares a que eu vou e, normalmente, quando eu vou a uma casa que eu sei que vai ter algum gato ou cachorro que solta muito pelo, vou de calça, pois, caso o bichinho queira encostar em mim, vai minimizar um pouco a alergia”, descreve Ana Paula. Em casa, a bióloga também lida com a alergia por causa do Cerberus, o cãozinho da raça Shih Tzu que chegou na família em dezembro de 2015. “Nossos cachorros, desde criança, nunca ficaram dentro de casa, devido às minhas alergias e às do meu irmão; meu pai também tinha...” “Eu descobri que os Shih Tzus também não soltam muito pelo; apesar de eles terem muito pelo, são mais cachorros de pelo baixo que soltam pelo. Então, foi só quando ele chegou que a gente teve mais alergia”, continua. Especialistas reforçam que cão de pelo longo soltam menos pelo do que cães com pelo curto Ana Paula Samogim/Arquivo pessoal Alergia ao pelo é mito Ao g1, o dermatologista veterinário Luís Felipe Zulim reforça que um dos mitos é justamente a questão do comprimento do pelo do animal. “As pessoas costumam optar por raças de pelo curto, mas é o contrário: cães de pelo curto soltam mais pelos. O pelo pode até ser um fator irritativo, mas o que realmente causa a alergia são os ácaros (poeira acumulada no pelo), descamação da pele, bem como secreções sebáceas.” Para ajudar nestes casos, a recomendação do veterinário é oferecer banhos frequentes ao pet, que auxiliam na remoção de pelos mortos, bem como ácaros ou poeira que ficam impregnados nos pelos do animal. “Em alguns casos, o que pode auxiliar é manter os pelos mais curtos, com tosa específica, respeitando as particularidades da raça também.” Princesa e Dudu, respectivamente, são os 'filhos' felinos de Eduardo Sabino de Carvalho Eduardo Sabino/Arquivo pessoal Convívio com gatos Eduardo Sabino de Carvalho, de 33 anos, também sentiu a alergia começar quando ainda era criança. Os sintomas se tornaram ainda mais evidentes quando ele adotou a gatinha Princesa, em 2018. “Isso não me impediu de adotar o Dudu em 2026. Como passei a ter um contato diário e muito mais próximo com eles, comecei a perceber melhor os sintomas e a relação com a alergia. Mesmo assim, eles fazem parte da família e sempre buscamos formas de tornar essa convivência mais confortável e saudável”, afirma o coordenador de vendas. O “pai de pet” faz uso de antialérgico prescrito pelo médico, o que já ajudou bastante no controle dos sintomas, segundo ele. No entanto, uma mudança que fez diferença no dia a dia de Eduardo foi a troca da alimentação dos gatos, por orientação do médico-veterinário. A nova ração utilizada pelo tutor foi desenvolvida para ajudar a reduzir os alérgenos ativos presentes nos pelos e na caspa do gato. Esta solução é reforçada por especialistas ouvidos pelo g1. “Percebi uma melhora importante na minha saúde e, ao mesmo tempo, os gatos se adaptaram muito bem. A experiência foi tão positiva que indiquei essa possibilidade para minha sogra, Sônia Ferrari, que tem vários gatos em casa e também convive com pessoas alérgicas”, completa Eduardo. Médico alergista de Presidente Prudente, Pedro Meireles descreve cuidados aos tutores que tem alergia Pedro Meireles/Arquivo pessoal Tratamento adequado Médica especialista em Alergia e Imunologia, ouvida pelo g1, Andressa Mariane da Silva reforça que é importante avaliar o impacto da alergia e se existe comprometimento das vias respiratórias inferiores. Também é importante diferenciar alergia respiratória de reações alérgicas agudas graves, como a anafilaxia, que é outro tipo de manifestação e possui características e tratamento específicos, segundo a especialista. “Não existe um único tratamento capaz de eliminar todas as alergias de uma pessoa. O tratamento deve ser direcionado para as doenças e para os alérgenos envolvidos.” Uma mesma pessoa pode ser sensível, por exemplo, a ácaros, pólen e animais. “Nesse caso, é necessário identificar quais dessas sensibilizações realmente estão relacionadas aos sintomas do paciente e estabelecer um tratamento individualizado”, destaca a médica Andressa. O tratamento adequado vai depender do quadro clínico, segundo os especialistas. Para alergias respiratórias, os principais pilares são o controle ambiental, medicamentos para controle dos sintomas e, em pacientes selecionados, a imunoterapia com alérgenos. Além disso, é possível identificar o tratamento conforme os sintomas apresentados: Rinite: podem ser utilizados medicamentos como anti-histamínicos e corticoides nasais; Asma: o tratamento é feito de acordo com a gravidade e o controle da doença, geralmente com medicamentos inalatórios que contêm corticoide, associados ou não a broncodilatadores; Imunoterapia: é uma possibilidade para alguns pacientes com alergias respiratórias. Ela consiste na administração controlada e progressiva do alérgeno com o objetivo de modificar a resposta do sistema imunológico. Pode ser realizada por via subcutânea, por meio de aplicações, ou por via sublingual. No caso da imunoterapia, o médico alergista Pedro Meireles reforça que é um tratamento de longo prazo. “De maneira geral, quando há indicação e boa resposta, a imunoterapia é mantida por cerca de três anos. A decisão, entretanto, depende do alérgeno envolvido, do tipo de doença, da resposta clínica e da disponibilidade de extratos adequados.” É importante também desmistificar a ideia de cães e gatos completamente “hipoalergênicos”, destacam os especialistas, pois não existe uma raça de cão ou gato comprovadamente livre de alérgenos. “Isso porque os principais alérgenos não estão simplesmente no pelo. Todos os cães e gatos produzem proteínas potencialmente alergênicas, embora a quantidade e o perfil dessas proteínas possam variar entre animais”, descreve o médico Pedro. Outro fator é que pode ocorrer influência genética, mas não significa que uma criança necessariamente terá as mesmas alergias dos pais, de acordo com a alergista Andressa Mariane. “O que pode ser herdado é principalmente uma maior predisposição para desenvolver doenças alérgicas. Além da genética, fatores ambientais também participam do desenvolvimento das alergias.” Além disso, ter contato com um animal e apresentar sintomas depois desse contato não significa necessariamente que a pessoa tenha alergia ao animal. “É preciso diferenciar alergia verdadeira de outras causas de sintomas respiratórios ou cutâneos”, destaca a especialista. “A alergia a animais não precisa ser encarada necessariamente como uma situação em que a única solução é se separar do pet. Em muitos casos, conseguimos controlar a doença por meio da combinação de medidas ambientais, tratamento medicamentoso e, quando indicado, imunoterapia. O mais importante é que o diagnóstico e o tratamento sejam individualizados”, completa a médica Andressa. A análise feita pela alergista vai de acordo com a descrição feita pelo professor de Medicina Pedro Meireles. E, quando for possível manter o animal, algumas medidas ajudam a diminuir a carga de alérgenos no ambiente. “Uma das mais importantes é não permitir que o pet entre no quarto da pessoa alérgica, principalmente na cama. Também podemos reduzir o acúmulo de tecidos e carpetes, realizar limpeza frequente e utilizar aspiradores e sistemas de filtragem com filtros HEPA. Em alguns casos, associamos essas medidas ao tratamento medicamentoso da rinite ou da asma”, reforça. Tem alergia ao próprio pet? Especialistas explicam sintomas e cuidados Reprodução Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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